Portus Calle Camp: uma iniciativa de paz mundial

Portus Calle Camp: uma iniciativa de paz mundial

O que pode um programa de intercâmbio internacional fazer pela paz? Durante uma semana, e promovido pelo Distrito 1970 e quatro clubes rotários, jovens de 17 países partilharam experiências de férias, conheceram culturas diferentes e aprenderam que essas diferenças são sinal de riqueza e não de divergências. Os Rotary Clubes de Vila Nova de Gaia, Porto, Vila Real e Arouca prepararam um programa cultural nas suas localidades de incidência e acolheram os jovens, divididos por grupos.

“Eu nunca tinha estado num convento”, começa por contar Polen Bahcivan, de 21 anos, natural da Turquia. É natural que assim seja. Polen vem de um país muçulmano pelo que estar no convento de Arouca foi algo de diferente. Mas a experiência do Portus Calle Camp não se fica por aí. A muçulmana – embora assuma que não é crente – recebe como bom dia um “Shalom” da sua companheira de quarto judia. Nele dorme ainda uma rapariga católica.

“Somos as melhores amigas!”, confessa Gil Liron, de 17 anos, vinda de Israel, mostrando que judeus e muçulmanos podem ser amigos. “Não nos interessamos pela política dos nossos países. Isso não nos impede de sermos amigas. Tem sido espetacular! Eu creio que se as pessoas se pudessem conhecer, uns aos outros, só à pessoa em si, sem olhar aos preconceitos estabelecidos, não haveria conflitos”, acrescenta Gil.

Judeus e muçulmanos estão em conflitos há centenas de anos, um conflito que se intensificou desde o início da II Guerra Mundial. Reunidos em período de férias, estes jovens indicam o caminho para a paz, um dos ideais mais acarinhados pelo Rotary e os rotários.

“Damo-nos muito bem porque sou muito interessada na cultura dela e ela na minha. Respeitamo-nos muito. O respeito mútuo pelas nossas culturas é a solução para as divergências. Devemos aceitar as diferenças. É isso que nos torna únicos. Nós fazemos isso aqui, neste intercâmbio, e estamos a divertir-nos muito”, explica Polen.

Polen e Gil são apenas dois exemplos de nacionalidades, de entre as 17 que participaram no Portus Calle Camp, que durou de 12 a 20 de agosto. E esta primeira edição do evento foi descrita com satisfação por todos os envolvidos.

“Queria uma coisa fora do normal e fora do meu país. Sinto-me como se estivesse em minha casa”, revelou César, natural do Equador, ainda espantado “por não anoitecer até às nove da noite” e encantado pela paisagem do Douro Vinhateiro. O roteiro das visitas contemplava igualmente, entro outros locais emblemáticos, passagens pela Baixa do Porto, a Torre dos Clérigos, passeio de barco no Douro, visita às Caves Ferreira e ao Parque Biológico de Gaia.

Mas também há quem tenha vindo a Portugal para conseguir reconhecer as influências lusitanas na sua cultura de origem. É o caso de Cheryl, uma indiana de 21 anos. quero aprender sobre a cultura portuguesa porque nós recebemos influências portuguesas na Índia e eu queria saber mais sobre isso. Aqui tudo é bonito, a paisagem, a comida…

“Até agora a experiência tem sido fantástica e enriquecedora. Este intercâmbio tem-me dado muita coisa e tenho aprendido muito. Quero continuar a aprender e reter o máximo que consiga porque é a minha primeira vez aqui. Esta iniciativa é única porque posso ver quatro partes do norte de Portugal. É algo que não se consegue em nenhuma ação do género”, afiança.

Acima de tudo, a iniciativa rotária divulga Portugal, a sua cultura, e procura contribuir para o desenvolvimento pessoal dos jovens e, consequentemente, lançar sementes para um mundo melhor, mais tolerante e solidário.

“Os intercâmbios deixam-nos com a mentalidade mais aberta. Não é difícil fazer amizade com pessoas de culturas distintas. Só temos de perceber as pequenas coisas que as pessoas gostam ou não gostam. Fazemos amizades em todo o mundo e crescemos como pessoas. Ficamos com mais sabedoria”, conclui o equatoriano.

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