“Cuidar em Timor” ajuda a mudar vidas

“Cuidar em Timor” ajuda a mudar vidas

A Joana tem 9 anos. É uma criança feliz que vive em Samalai, uma aldeia a 6 quilómetros de Laleia que, por sua vez, fica a três horas de viagem até Dili, a capital de Timor. Apesar do sorriso fácil, a Joana transportava no seu sorriso um tumor que lhe crescia desde os seus 5 anos de idade. Crescia… já não cresce. A sua vida foi uma das muitas tocadas pela ação de três médicas portuguesas em voluntariado, no projeto “Cuidar em Timor”, com a duração de três meses e com apoio do Rotary.

Projeto “Cuidar em Timor” é dinamizado por três jovens portuguesas (Margarida Oliveira, Ana Patrícia Rosa e Andreia Fernandes) que partiram a 4 de julho para Timor onde, durante três meses, apoiaram os médicos locais nos cuidados de saúde, dotando o centro de saúde local de bens básicos à prática de medicina. Rotary Club de Arouca ajudou na recolha de material médico e no envio para Timor.

O projeto teve a colaboração do Centro de Saúde de Laleia e Cairui e permitiu trabalhar no âmbito da formação de outros profissionais de saúde e na intervenção local com sessões de educação para a saúde para a comunidade em diversas áreas (saúde infantil, saúde materna, patologia respiratória, cardiovascular, dermatológica, entre outras).

As voluntárias encontraram em Timor uma realidade de escassez de meios que as impressionou. Uma escassez que vai para lá da falta de recursos humanos (pensar num médico especialista, fisioterapeuta, dentista, terapeuta da fala, assistente social é uma miragem muito distante do interior geográfico de Timor). Há falta de materiais médicos. O único electrocardiógrafo que existe está em Díli e o mesmo acontece com o único aparelho de raio-x e TAC (quando funciona) “sistema nacional de saúde”. Mas há ainda falta de elementos mais básicos dos cuidados de saúde: não havia um termómetro, nem um saturímetro, nem um glicómetro num centro de saúde que serve toda a população de Laleia e Samalai. Os medicamentos são racionados pelo Estado (não há amoxicilina+ác. clavulânico, por exemplo) e não existem farmácias. Mais uma vez, as mais próximas estão localizadas em Díli, cidade que fica a 3h de distância, independentemente da gravidade da situação clínica.

Tendo em conta esta realidade, as voluntárias ministraram formação de Suporte Básico de Vida (SBV) e Suporte Avançado de Vida (SAV) na Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL), com entrega dos livros oferecidos pelo Conselho Português de Ressuscitação (CPR), a cerca de 150 alunos de medicina, enfermagem e outros cursos da área de saúde (nutrição, farmácia e parteiras).

E foi numa sessão de educação para a saúde, na escola de Samalai, que as médicas ficaram a conhecer a Joana e lhe diagnosticaram o tumor, que crescera com o tempo. Não incomodava, nem impedia a Joana de sorrir. No entanto, podia acarretar um problema mais grave no futuro e, por isso, as médicas trataram de articular com a Clínica do Bairro Pitê, em Dili, que a Joana fosse submetida a uma pequena cirurgia do lábio. Uma cirurgia simples, de rápida recuperação, que correu bem e devolveu a normalidade ao rosto de Joana e travou um tumor que lhe podia trazer danos maiores no futuro.

Para conseguirem levar a cabo este trabalho, as voluntárias precisaram de donativos em materiais hospitalares e apoio no envio desses mesmos materiais, bem como o desburocratizar dos processos alfandegários. Para isso contou com a colaboração do Rotary Club de Arouca que, tanto nos meses que antecederam a partida, como no período do voluntariado, foi enviando os materiais e dando o apoio às necessidades que as voluntárias apontavam.

O Rotary Club de Arouca teve como parceiros a Farmácia Gomes de Pinho (Arouca), a Farmácia de Santo António (Arouca) e a empresa ForestCorte. No desenvolvimento deste projeto, houve ainda a conciliação de esforços com o Rotary Club de Barcelos.

Na chegada a Portugal, as médicas deixaram o seguinte testemunho: “não esquecemos os olhares, os sorrisos, as lágrimas da despedida de Timor. Custa deixar um local em que sentimos que estávamos verdadeiramente a fazer a diferença, ainda que só de um grão de areia numa praia imensa se tratasse o nosso trabalho. Sentimos que a missão não pode acabar com uma viagem de avião.
A MISSÃO CONTINUA!”

Todos juntos podemos continuar a apoiar a missão “Cuidar em Timor”. Acompanhe as voluntárias em https://www.facebook.com/CuidaremTimor/

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