30 anos depois ainda são visíveis os resultados do projeto do RC Lamego nas Aldeias de Montemuro

30 anos depois ainda são visíveis os resultados do projeto do RC Lamego nas Aldeias de Montemuro

Foi há cerca de 30 anos que o Rotary Club de Lamego, em parceria com uma ONG americana chamada ICA (Institute of Cultural Affairs), começou com o projeto de desenvolvimento das Aldeias de Montemuro. O objetivo era desenvolver a região a nível social, económico e ainda ajudar as populações a serem autossustentáveis. Os objetivos foram cumpridos e hoje em dia ainda são visíveis os resultados.

Tudo começou em 1981, quando alguns membros da ONG americana, ICA, instalaram-se na zona das aldeias de Montemuro para ajudar no seu desenvolvimento regional. Começaram por fazer cursos de formação de desenvolvimento comunitário em Lamego, envolvendo representantes de várias aldeias da região. Segundo Lúcia Marinho, atual Presidente do Rotary Club de Lamego, essa ONG tinha laços com o Rotary, pois as duas entidades já tinham trabalhado em conjunto em países como a Jamaica e a Índia. Assim os profissionais da ICA, que estavam em Lamego, começaram a frequentar as reuniões do clube rotário local, com o intuito de incentivar e pedir a colaboração naquele projeto.

A partir daí criou-se uma ligação e objetivos comuns: iniciar a comercialização dos produtos agrícolas, levar serviços médicos às aldeias, fazer formações de liderança e em benefício das mulheres, jovens e idosos das comunidades locais, entre outros que ajudassem ao desenvolvimento sócio-económico de toda a região. “ Era preciso ensinar as pessoas a trabalhar, dar-lhes ferramentas para puderem desenvolver as suas atividades, e serem autossustentáveis.”, continua Lúcia marinho.

Apesar de o trabalho ter começado de imediato foi necessário algum financiamento e assim o clube de Lamego decidiu candidatar-se ao Programa 3H (Health, Hunger and Humanity) da The Rotary Foundation. E este foi o único projeto português em que o dinheiro seria para ser aplicado em terras lusas que foi aprovado. Entre 1987 e 1988 vieram dos EUA vários grupos de companheiros para trabalhar neste projeto.

Depois do subsídio ter entrado foi aplicado no desenvolvimento dessas aldeias da Serra de Montemuro. Durou 10 anos. 10 anos de trabalho para ensinar a população a criar os seus próprios trabalhos, a mudar as mentalidades, a mudar os hábitos. As equipas do ICA, do Rotary Club de Lamego, trabalharam nas aldeias, nomeadamente na área da formação, da saúde, do artesanato, da agricultura e da pecuária.

São vários os resultados que, ainda hoje, sobrevivem desse trabalho. O Teatro de Montemuro é um deles. Para além disso, algumas empresas de artesanato local e não só, criadas na altura, ainda existem e até exportam os seus produtos para o resto do mundo. A Cooperativa Capuchinhas C.R.L. na aldeia de Campo Benfeito, a Erbital, empresa de Ervas Medicinais Biológicas, no Mezio; a Cooperativa das Lançadeiras em Picão e a Cooperativa de Combate ao Frio na Aldeia de Relva.

Ao longo de toda a sua implementação, e até aos dias de hoje, são vários os grupos vindos de Universidades/Organizações/Entidades, portuguesas e estrangeiras, que visitam o Montemuro para avaliar em loco um projeto de desenvolvimento comunitário com sucesso. O trabalho nas aldeias de Montemuro acabou mas os resultados permanecem e é para isso que o Rotary trabalha, para “fazer a diferença”.

 

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